quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Kit de Combate a Homofobia - Você já viu?

Em 2011 a Presidenta da República Dilma Rousseff vetou o projeto que iria distribuir para as redes públicas de ensino médio material de combate a violência homofóbica.
O material seria distribuído mediante a solicitação da escola, acompanhada de técnicos do MEC com kit educativo, que entre outros matérias, constavam de três vídeos.
Os vídeos tem parecer na UNESCO, do Conselho Federal de Psicologia, do Conselho de Classificação Indicativa/MJ e da UNE, e foi precedida de uma pesquisa, diagnosticando a homofobia nas escolas.


O material foi disponibilizado na internet e qualquer professora ou professor pode usá-lo! Inclusive porque dinheiro público já gasto em cima dele:





Na entrevista que o Deputado Jean Wyllys concedeu a Marília Gabriela em julho de 2011, ele explica quais as barganhas políticas envolvendo o então Ministro Palocci, e de como alguns políticos mentiram ao usar material do Ministério da Saúde como sendo material do Ministério da Educação!
Essa pauta em especifico está nos 10min do vídeo a seguir. A entrevista completa também está disponível no Youtube, e é super recomendada!


sábado, 15 de setembro de 2012

Seminário Internacional - Violências e Direitos humanos: Espaços da Educação.

A cátedra UNESCO de Juventude, Educação e Sociedade da Universidade Católica de Brasília (UCB) abre as inscrições para o seminário internacional  "Violência e Direitos Humanos - Espaços da Educação", o evento acontecerá nos dias 4 e 5 de outubro no campus da 916 norte!

Para mais informações: http://www.catolicavirtual.br/catedra/index.php/seminario-outubro

Aliança Global para a Educação LGBT - Guia de monitoramento do direito a educação para a diversidade sexual!

Global Alliance for LGBT Education (GALE) é uma comunidade virtual de aprendizagem focando na educação de questões LGBTs. A participação na comunidade é gratuita e aberta a qualquer pessoas que esteja envolvida ativamente na educação sobre assuntos LGBT. 
Mas para poder se manter dentro da rede é preciso contribuir com atividades ou conteúdos, você pode se propor e se engajar em algum projeto, e também ter acesso a experiência de sucesso, e compartilhar as que já vivenciou!
A GALE é uma rede de parceiros formal da UNESCO!


A GALE está desenvolvendo um guia para monitorar o direito a educação para a diversidade sexual e planejamento estratégico para ajudar as organizações de defesa e governos a analisar em que medida o direito a educação e os objetivos de educação para todxs são implementadas nos países. O guia consta de três objetivos:

1. Ajudar xs leitorxs a aumentar seus conhecimentos e visibilidades da diversidade sexual nas escolas
2. Apoiar as ações locais para tornar as escolar mais seguras
3 E apoiar as ações múltiplas para levar essas questões de forma útil para ONGs e governos!

O guia está em fase de construção, e membros da rede tem até 7 de outubro para opinarem em sua construção!



domingo, 2 de setembro de 2012

Material livre na internet!

Divulgando aqui dois materiais muito legais que encontrei na internet! O primeiro é  uma edição do 'Cadernos SECAD'. - atualmente sobre sigla de SECADI (Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão), - Traz na quarta edição o título Gênero e Diversidade Sexual na Escola: reconhecer diferenças e superar preconceitos, e tem como objetivo básico "e documentar as políticas públicas da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade do Ministério da Educação", com teor informativo e formativo direcionado à gestoras/es, professoras/es, e demais profissionais da área de educação, trazendo bases histórias, conceituais, legais e organizacionais que fundamentam as ações das políticas da SECADI/MEC.




O segundo é o material didático do curso "Gênero e Diversidade na Escola: Formação de Professoras/es em gênero, sexualidade, orientação sexual e relações étnico-raciais", disponível aqui direto para download. O curso foi construido em parceira com a Secretaria de Política para as Mulheres, Secreatia Especial de Políticas de Promoção da Iguadade Racial, Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade, Secretaria de Educação à Distancia, British Council e o Centro Latino-Americano em Sexualidade e Direito Humanos (CLAM/IMS/UERJ). E visa contribuir diretamente para a formação continuada de profissionais de educação da rede pública, apresentando quatro módulos: Diversidade, Gênero, Sexualidade e Orientação Sexual e Raça e Etnia!

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Guia rápido para projetos de pesquisa!

Como escrever um projeto de pesquisa?

A forma com que o projeto é escrito é muito importante, mas esse não deve e sobressair sobre o conteúdo. O projeto não serve apenas para ser avaliado por uma banca ou comissão, mas também, e fundamentalmente, para a organização da pesquisadora.
As instituições, agências financiadoras etc, costumam já dispor de modelos ou formulários explicitando os critérios a serem avaliados. Embora nem sempre os critérios sejam os mesmo, alguns elementos importantes podem ser citados, e é como, mais ou menos, eu organizei o meu:
1) Resumo
2) Introdução
3) Justificativa
4) Objeto de pesquisa
5) Revisão da Literatura ou Marco Teórico
6) Problema e Hipótese de Pesquisa
7) Objetivos da Pesquisa
8) Técnicas de Pesquisa
9) Cronograma físico
10) Cronograma orçamentário
11) Bibliografia

Mas o que deve ficar mesmo é a consistência, delimitação e viabilidade!
A Luds, que tá sempre perto nos momentos de desespero acadêmico, me enviou também um arquivo intitulado: Orientações para elaborar o Projeto de Dissertação de Mestrado ou Tese de Doutorado! Que serve também pra monografias:

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O projeto deve ter, no máximo, 20 laudas digitadas (em espaço 1.5, fonte arial e tamanho 12), incluindo referências bibliográficas.


Devem ser incluídos no projeto:
  • título;
  • objeto de estudos (ou problema) e finalidade da investigação, seja ela empírica ou teórica;
  • revisão da literatura;
  • referencial teórico sobre o tema específico para a pesquisa;
  • definições de conceitos e de categorias de análise, quando pertinente;
  • esboço preliminar de aspectos gerais da metodologia da pesquisa, seja ela empírica ou teórica, justificando as opções;
  • cronograma para o período completo da pesquisa;
  • referências bibliográficas.

Notas:
-     Os tópicos mencionados devem ser contemplados no projeto mas não é necessário que estejam em itens operados.
-     A seqüência de disposição dos tópicos não é rígida, devendo adequar-se às características particulares da proposta.

Problemas que podem ocorrer ao elaborar o projeto de dissertação ou tese:
  • o objeto de investigação é muito amplo, geral ou vago;
  • não se trata de projeto de pesquisa, mas de proposta de intervenção;
  • o projeto contém múltiplos objetos de investigação;
  • o projeto ignora conhecimentos anteriores já acumulados sobre o objeto de investigação;
  • não há revisão de literatura ou ela é inadequada e não se articula com o objeto de investigação;
  • o objeto de investigação não se enquadra nos campos de atuação da linha de pesquisa na qual o aluno se insere;
  • o objeto de investigação é pouco relevante;
  • a descrição da metodologia e/ou dos procedimentos é vaga inadequada ao objeto de investigação;
  • o impacto social e científico da investigação proposta não é enfatizado ou é pouco relevante;
  • cronograma é irrealista face à proposta;
  • muito extenso, ultrapassando as vinte laudas digitadas.

Sugestões para orientá-lo/a na elaboração de seu projeto de dissertação de mestrado ou tese de doutorado:

  • elabore-o com bastante antecedência;
  • procure o seu orientador e peça-o para lê-lo e analisá-lo com cuidado;
  • leia e estude livros disponíveis sobre metodologia científica ou elaboração de projetos de pesquisa.

COMO MELHORAR SEU TEXTO:
Antes de apresentar seu projeto é importante fazer uma edição final do texto. Você poderá encontrar pequenos erros, pontos esquecidos. Esse trabalho é dividido em duas partes: estilo e clareza.
Na primeira metade você deve se concentrar, no plano microscópico, na mecânica e no estilo. Você revisou duas vezes a ortografia de qualquer palavra sobre a qual se sente inseguro? Alguma de suas frases é muito longa ou complicada? Você pôs aspas nos lugares corretos? Cada uma das sentenças tem sentido? Alguém que ignore o tema pode compreender o que você tenta dizer?
Uma vez que tenha solucionado os problemas de estilo, é importante analisar seu texto a partir de uma perspectiva telescópica. A segunda parte de sua lista de controle deve destacar temas de estrutura, clareza e fluxo da escrita.
Sua escrita tem um ponto convincente? Chega a uma conclusão coerente? Você oferece ao leitor exemplos específicos ou memoráveis para respaldar seus pontos de vista? As transições entre as seções do seu texto são suaves e lógicas? Sua escrita conta com um ritmo adequado de maneira que dá confiança ao leitor do começo ao fim? Passando por esse pente-fino, a revisão do texto de seu projeto está finalizada.

(Fonte: Beverly Ballaro e Christina Bielaszka-DuVernay)

domingo, 26 de agosto de 2012

Respeito à diversidade se aprende na escola!

O IX Seminário LGBT da Câmara dxs Deputadxs teve como tema "Sexualidade, papéis de gênero e educação na infância e na adolescência".

Destaco a participação da Senhora Marlene Xavier, representando as Mães Pela Igualdade.
Marlene é mãe de quatro filhxs LGBT, e trabalhava na escola onde todxs estudavam, e viu de perto as violências sofridas pelxs filhxs. Marlene Xavier é uma mãe pela igualdade!

Esteve presente também João W Nery, autor do primeiro livro escrito em português contanto a história de um transhomem, a Deputada Erika Kokay, a Profesorra Miriam Abramovay, a Professora Maria Lucia Leal, representantes do MEC, do MJ, da Comissão de Direitos Humanos e Minorias, Comissão de Educação e Cultura, entre alguns outros.


Mas nessa postagem chamo a atenção para o que a presença da pesquisadora e militante Tatiana Lionço representou para os setores conservadores e fundamentalistas do Congresso Nacional e do país como um todo.
A fala da Tatiana Lionço girou sobre a sexualidade na infância, e o olhos abusadores e castradores de adultos. Sem jamais defender a pedofilia e qualquer abuso de crianças e adolescentes, a pesquisadora teve sua fala editada de forna pífia e repugnante para servir de mote a perseguição de LGBTs.
Contudo, a idéia aqui não é perder tempo mostrando esses materiais deturpados e exdruxulos, mas pelo contrário veicular o material original da pesquisadora.



O debate que ocorreu pela manhã está disponível nesse vídeo, onde Tatiana Lionço aparece a partir de 2h37'.
"Aqueles e aquelas que qualificamos hoje como crianças foram tratadas por longos periodos como adultos em miniatura. O que levou o papa bento XVI a infeliz declaração, inoportuna, de que a pedofilia nem sempre fora objeto de penalização, e portanto poderia ser relativizada historicamente. Evidentemente nós não vamos usar da compressão sobre sexualidade infantil para sermos coniventes com esse tipo de manejo argumentativo por parte da igreja católica, onde a sexualidade infantil não existe a não ser no momento em que argumentativamente ela importa ao adulto abusador, e que recorrentemente, no caso da pedofilia dentro da igreja católica, a inteligibilidade sobre o que se passou do ponto de vista da autoridade religiosa, é a culpa da criança homossexual. Então, absolutamente, discutir sexualidade na infância não é ser conivente com esse tipo de linha argumentativa" diz Tatiana

Também aproveito para divulgar livro organizado por ela e pela pesquisadora Débora Diniz, Homofobia & Educação - um desafio ao silêncio, que conta com textos de Daniel Borrillo, Claudia Vianna e Lula Ramires, Malu Fontes, Fernando Pocaby, Rosana de Oliveira e Thaís Imperratori, Raoger Raupp Rios e Wederson Rufino dos Santos, Rogério Diniz Junqueira, Débora Diniz e Tatiana Lionço.

Segue também o texto que Tatiana Lionço escreveu sobre o caso: Transviada contra a ordem sexual: má fé e vergonha!

O debate ocorrida pela tarde no seminário pode ser aqui visualizado: 

sábado, 25 de agosto de 2012

Diversidade Sexual na Educação: problematizações sobre a homofobia nas escolas

A 32ª edição da Coleção Educação para Todos traz uma coletânea de 15 artigos mais uma introdução do amigo Rogério Diniz Junqueira, que organizou essa edição.
Com textos de Roger Raupp Rios, Guacira Lopes Louro, Alípio de Sousa Filho, Fernando Seffner, Jane Felipe, Alexandre Toaldo Bello, Luiz Mello, Miriam Grossi, Anna Paula Uziel, Paula Regina Costa Ribeiro, Guiomar Freitas Soares, Felipe Bruno Martins Fernandes, Dagmar Meyer, Wiliam Siqueira Peres, Ana Cláudia Bortolozzi Maia, Jimena Furlani, Lúcia Facco, Antônio Carlos Egypto, Denilson Lopes e de Rogério Diniz Junqueira a coletânea aborda vários perspectivas teóricas, mas traz também dados de pesquisas realizadas por essas autoras e outras.
Políticas públicas, práticas homofóbicas, mães lésbicas, pais gays, pais e mães de LGBTs, professoras e professores homossexuais, a travestilidade e transexualidade, educação infantil são alguns dos temas que se intercruzam ao se discutir escola, educação e homofobias.

A obra completa está disponível pela UNESCO  aqui

No artigo introdutório, Rogério Junqueira nos traz um breve resumo das obras selecionadas, transcrevo-as aqui:


Sobre os artigos
Em  Homofobia na perspectiva dos direitos humanos e no contexto dos estudos sobre preconceito e discriminação, Roger Raupp Rios faz uma indispensável reflexão sobre o conceito de homofobia. Mediante uma exposição do estado da arte dos estudos psicológicos e sociológicos sobre preconceito e discriminação, procura compreender a discriminação homofóbica no quadro da reflexão acumulada sobre outras formas de discriminação, tais como o anti-semitismo, o racismo e o sexismo. Valendo-se de categorias do direito da antidiscriminação (tais como os conceitos de discriminação direta e indireta) e da identificação das formas de violência homofóbica engendradas pelo heterossexismo, o autor arrola possíveis 
respostas jurídicas à homofobia, no horizonte do paradigma dos direitos humanos, valiosas para se pensar em ações no espaço escolar. 
Da ótica dos estudos gays e lésbicos e da teoria queer, Guacira Lopes Louro, em Heteronormatividade e homofobia, analisa o processo histórico a partir do qual se verificou uma proliferação de discursos sobre a sexualidade e a necessidade de se marcar a homossexualidade e a heterossexualidade como bastante distintas, separadas. Na segunda metade do século XIX, enquanto a sexualidade se convertia numa “questão”, a norma heterossexual era produzida, reiterada e tornada compulsória, sustentando a heteronormatividade. Médicos, filósofos, moralistas e pensadores passaram a fazer proclamações e “descobertas” sobre o sexo, a inventar classificações de sujeitos e de práticas sexuais e a determinar o que seria ou não “normal”, “adequado”, “sadio”. Disso surgiram o “homossexual” e a “homossexualidade”, e as práticas afetivas e sexuais entre pessoas de mesmo sexo ganharam nova conotação, estabelecendose o par heterossexualidade-homossexualidade. Para garantir o privilégio da heterossexualidade, sua normalidade e sua naturalidade, investimentos de toda ordem foram postos em ação, em diversas instâncias. A manutenção da lógica que supõe que todas as pessoas sejam (ou devam ser) heterossexuais favorece a homofobia e, ao mesmo tempo, o medo e o fascínio pela homossexualidade. A pedagogia da sexualidade que daí emerge mereceria ser desestabilizada, reinventada e tornada plural.Alípio de Sousa Filho, em Teorias sobre a Gênese da Homossexualidade: ideologia, preconceito e fraude, procura demonstrar que uma longa história de colonização pelo preconceito, por meio da qual se representou a homossexualidade como uma exceção, um desvio ou uma inversão no quadro de uma pretendida (e compulsória) normalidade heterossexual, se fez acompanhar pelo desenvolvimento de estudos e teorias em busca de uma causa específica da homossexualidade. O autor sustenta que as formulações que procuram determinar a gênese da homossexualidade, dissimuladas como “teorias científicas”, configuram autênticas fraudes de ordem intelectual e moral. Enfatiza que estas teorias resultam da profunda ação da ideologia na cultura (e, nesse sentido, de uma visão social não inteiramente consciente) e que, por isso, sua desmistificação requer empenho sistemático. Afinal, mesmo quando denunciadas como obras do pensamento preconceituoso, elas tendem a não deixar de produzir efeitos no imaginário e de exercer sua influência deletéria sobre todas as pessoas, dentro e fora da escola.
Em  Equívocos e armadilhas na articulação entre diversidade sexual e políticas de inclusão escolar, Fernando Seffner analisa os desafios na implantação de políticas educacionais inclusivas que considerem os temas da diversidade sexual. O autor observa que o aparente consenso em torno da adoção de um modelo educacional deste tipo tende a desaparecer quando se depara com as demandas de inclusão de determinados públicos, especialmente o de estudantes homossexuais. Defensor do caráter laico da escola pública, considera as dificuldades resultantes de resistências relativas a questões morais e religiosas e da tensão com os movimentos organizados na defesa dos direitos de LGBT. Sugere ações que contribuam para a inserção dos temas da diversidade sexual nos currículos e a inclusão e a permanência de estudantes cuja orientação sexual é diferente da heterossexual.
Com o objetivo de discutir o conceito de gênero e de identidades sexuais e, mais especificamente, a construção das masculinidades na infância e na escola, Jane Felipe e Alexandre Toaldo Bello propõem o artigo  Construção de comportamentos homofóbicos no cotidiano da Educação Infantil. O trabalho suscita olhares sobre os sujeitos infantis masculinos e analisa de que forma determinadas representações de 
homem que se pretendem hegemônicas são acionadas e percebidas por crianças e educadores/as,especialmente no âmbito da Educação Infantil, produzindo nelas, desde a mais tenra idade, um esboço de homofobia e de misoginia.
Em A escola e @s filh@s de lésbicas e gays: reflexões sobre conjugalidade e parentalidade no Brasil, Luiz Mello, Miriam Grossi e Anna Paula Uziel discutem a inclusão das famílias homoparentais na nossa escola, considerada instituição central na construção da cidadania e na transmissão de valores democráticos. Observam que, nos 
últimos anos, a filiação tem se tornado um fenômeno cada vez mais presente nos lares de casais constituídos por pessoas do mesmo sexo e os debates sobre homossexualidade, conjugalidade e parentalidade vêm se ampliando em todas as esferas sociais. 
Diante desta realidade e do dever de a escola estar preparada para receber todas as crianças em um ambiente livre de preconceitos e de discriminações, as autoras e o autor buscam trazer elementos que auxiliem docentes e corpo diretor a acolher positivamente crianças cujos pais/mães vivam em situação de conjugalidade homoerótica ou que se reconheçam como gays, lésbicas e bissexuais. A partir de uma discussão sobre direitos humanos, cidadania e sexualidade, refletem sobre a diversidade da família como instituição social na contemporaneidade e sobre o processo de conquista de direitos civis relativos à liberdade de orientação sexual. Apontam elementos teóricos que contribuiam para o enfrentamento da homofobia e o apoio a estudantes que vivem em núcleos familiares que fogem ao modelo heterossexual.
Ambientalização de professores homossexuais no espaço escolar, escrito por Paula Regina Costa Ribeiro, Guiomar Freitas Soares e Felipe Bruno Martins Fernandes, retrata uma pesquisa em busca da compreensão acerca de como, no ambiente escolar, a sexualidade é tratada e se torna fator importante na definição identitária dos seus sujeitos e de suas relações sociais. Considerando a sexualidade como uma construção histórica e cultural, as autoras e o autor examinam narrativas de três professores gays e de uma professora lésbica, a fim de conhecer as formas em que se dão suas ambientalizações na instituição escolar. Das narrativas, emergiram registros de episódios relacionados à construção de suas identidades sexuais e de gênero, releituras de como se “perceberam homossexuais”, o que representou ser adolescentes homossexuais e hoje, enquanto docentes, a maneira com que “assumem” ou não essa identidade no espaço escolar.
A partir de um conjunto de pesquisas desenvolvidas sobre educação e relações de gênero, Dagmar E. Estermann Meyer propõe o artigo Corpo, violência e educação: uma abordagem de gênero. O trabalho explora algumas das formas pelas quais a violência se inscreve e se naturaliza em relações de poder de gênero. Sua premissa básica: é no contexto de relações de poder de gênero (naturalizadas, sancionadas e 
legitimadas em diferentes instâncias do social e da cultura) que determinadas formas de violência tornam-se possíveis. Sugere que a problematização dessas relações de poder de gênero pode apontar e delinear um campo de possibilidades especialmente significativo para reflexão e intervenção de educadores/as e isso, por sua vez, pode contribuir para minimizar, de forma importante, o exercício de algumas formas de 
violência de gênero, entre elas, a homofobia.
Em Cenas de exclusões anunciadas: travestis, transexuais, transgêneros e a escola brasileira, Wiliam Siqueira Peres discute, a partir de suas pesquisas sobre processos de subjetivação, o papel cumprido pela escola na promoção da inclusão e da exclusão socioeducacional de travestis, transexuais e transgêneros. Os depoimentos colhidos e analisados evidenciam um complexo quadro de experiências de preconceito, estigmatização, violência, exclusão e morte. Diante disso, o autor enfatiza a necessidade de urgentes reflexões a respeito das novas identidades sexuais e de gênero, a criação de espaços de respeito e convívio pacífico entre os atores que compõem as redes de ensino, fazendo com que as escolas constituam espaços de escuta, também dotados de diretrizes curriculares e projetos político-pedagógicos que promovam e garantam o efetivo enfrentamento da homofobia/travestifobia/transfobia e de seus 
processos de estigmatização.
Ana Cláudia Bortolozzi Maia, em  Sexualidade, deficiência e gênero: reflexões sobre padrões definidores de normalidade, reflete sobre a imposição social de padrões definidores de normalidade em relação às sexualidade e às assim ditas “deficiências”. 
As deficiências aqui estudadas são mentais e físicas, e a autora chama a atenção para o fato de que lidar com os ideais e os preceitos de normalidade hegemônicos em nossa sociedade é, para todos os indivíduos, um fardo, mas tremendamente mais crítico e penoso para as “pessoas com deficiência”. E mais: em questões de gênero e sexualidade, às “deficiências” somam-se ulteriores dificuldades impostas pelos padrões definidores de normalidade sexual, o que reforça preconceitos e gera discriminação. A autora ressalta a necessidade de se pensar criticamente esta questão no cenário da educação, uma tarefa indispensável para a construção de uma escola inclusiva e de uma sociedade democrática.
A educação formal e a escola se deparam, cada vez mais, com projetos, recomendações e diretrizes que trazem novas e inquietantes demandas. Reivindicam-se políticas afirmativas, inclusão curricular, formação para cidadania, promoção da eqüidade, respeito à diversidade etc. Jimena Furlani observa que, ao discutirmos a adoção de ações pedagógicas que tomem como tema a sexualidade, cabe perguntar que Educação Sexual queremos, que princípios e fundamentos ela apresenta, quais são os efeitos sociais desses saberes, a que sujeitos eles dão visibilidade e quem eles ocultam. Em “Direitos Humanos”, “Direitos Sexuais” e “Pedagogia Queer”: o que essas abordagens têm a dizer à Educação Sexual?, a autora busca explicitar e questionar pressupostos e implicações pedagógicas dessas três abordagens que mais se aproximariam de uma Educação Sexual voltada ao reconhecimento da diversidade, ao respeito à diferença e à problematização das desigualdades e das injustiças sociais. Seu interesse é pensar como a escola e as políticas públicas podem encontrar, nesses modos de tratar o assuntos, possibilidades didático-metodológicas que contribuam para a construção de uma sociedade menos sexista, 
menos racista e menos homofóbica.
No artigo As “diferenças” na literatura infantil e juvenil nas escolas: para entendê-las e aceitá-las, Lúcia Facco defende que, nos trabalhos de sala de aula com crianças e adolescentes, educadores/as possam se valer de textos literários que tragam de maneira nítida a questão das “diferenças” e, mais propriamente, a discussão que oportunize o aprendizado do respeito às diversidades de gênero, orientação sexual, 
classe, entre outras. Ao mesmo tempo, ao chamar a atenção para o fato de os textos literários também serem instrumentos poderosos na transmissão de visões de mundo, preconceitos e estigmas, sustenta que a necessária promoção do ensino de uma recepção crítica das mensagens se faça acompanhar de atitudes e de uma pedagogia por meio das quais educadores/as possam melhor incentivar e apontar novas possibilidades de desenvolvimento da cultura do respeito e do reconhecimento não só da diversidade sexual, como também das outras.
Orientação sexual nas escolas públicas de São Paulo, de Antonio Carlos Egypto, trata da importância, nas políticas públicas de educação, de implementar ações voltadas para promover a discussão sobre a sexualidades e os preconceitos nas escolas. O autor, entendendo a “orientação sexual” como conteúdo curricular e processo pedagógico tal como disposto nos Parâmetros Curriculares Nacionais, oferece um 
relato acerca do desenvolvimento, pelo Grupo de Trabalho e Pesquisa em Orientação Sexual, de um amplo projeto de formação de profissionais da educação junto à rede municipal de ensino na cidade de São Paulo, em 00 e 004. O projeto é aqui exposto em suas diferentes fases e aspectos, como os objetivos, os desafios enfrentados, a formação continuada de educadores, a postura, a metodologia e a dimensão alcançada por esse trabalho.
No bojo do debate acerca dos processos de construção de identidades e das disputas em torno de diferentes regimes de visibilidade/invisibilidade identitária LGBT, emergem fortes tensões entre os que defendem a adoção de aguerridas ações afirmativas e os que acreditam em formas mais sutis de militância. Entre os últimos, há ainda os que investem em atitudes ainda mais problematizadoras quanto aos pressupostos teórico-políticos de toda essa discussão. É onde se situa Denilson Lopes, em Por uma nova invisibilidade. Ele inicialmente observa que a invisibilidade social tem sido vista pelos movimentos políticos minoritários como um alvo a ser combatido, entendida como resultado da opressão social e histórica. No entanto, a partir de leituras das obras de Silviano Santiago e Caio Fernando Abreu, ele propõe uma reavaliação da invisibilidade como alternativa, seja para uma política de identidades LGBT estreita, seja para um transplante pouco reflexivo da teoria queer. Entre outras coisas, o autor observa o silenciamento dos temas relacionados à sexualidade em seus tempos de escola. Temas associados à sexualidade, deixados para as conversas de corredor ou, no máximo, tocados em aulas de biologia, não tinham vínculo com a vida. As eventuais aulas de educação sexual, à sombra da propagação da Aids, não contribuíam para o entendimento da sexualidade como parte da formação afetiva e política. A criação de espaço para a escuta teria pelo menos ajudado a redimensionar a sensação de isolamento.
Em Educação e homofobia: o reconhecimento da diversidade sexual para além do multiculturalismo liberal, Rogério Diniz Junqueira reflete sobre as potencialidades da diversidade sexual na formação educacional. Preconiza a problematização da homofobia na escola como meio de proporcionar educação de qualidade. Após discutir o conceito de homofobia e observar seus vínculos com a heteronormatividade e 
outros fenômenos discriminatórios, analisa estratégias de “negação” adotadas pelos interessados em seeximirem do enfrentamento da homofobia nas escolas e aponta equívocos na polarização entre universalismo e relativismo cultural. A partir de uma perspectiva construcionista, faz restrições às “políticas de identidade”, ao multiculturalismo liberal, aos postulados essencialistas, binários e “politicamente corretos” 
produtores de inclusão periférica, sempre vinculada a lógicas de domesticação, normalização e de subalternização. Considera indispensáveis para um novo modelo de cidadania: o reconhecimento da diversidade sexual a partir da ética democrática e dos direitos humanos e a desestabilização do sexismo, da heteronormatividade e do “narcisismo das pequenas diferenças”