Alunas e alunos do Colégio Objetivo de Pirassununga tiveram a iniciativa de protestarem contra o Deputador-Pastor Marcos Feliciano!
O blog acompanhou a trajetória de pesquisa para monografia das práticas de transfobias e homofobias nas escolas. Durante a pesquisa muitas informações e ideias são acessadas. Disseminar esse e todo o conhecimento produzido nas universidades, de forma livre e acessível, é (ou deveria ser) responsabilidade de todxs, esse blog é uma tentativa tímida para tal. Estão postadas notícias, informações, vídeos e materiais com a temática da sexualidade, identidade de gênero e educação
sábado, 30 de março de 2013
Homofobia em Alagoas
Em escolas do interior ou urbanos, nas periferias ou dos centros, de norte a sul, em escola de gente rica ou escola de gente pobre. As homofobias nas escolas não encontram limites ou barreiras; ao contrário tem tido fluido, combustível aditivado e regulagem periódica.
Dez por cento do PIB para educação? Qual educação? Que amedronta, que bate, ridiculariza e expurga de sí que não se apresenta como é esperado?
Royalties do petróleo para a revolução do tablet e da tela interativa. Qualidade em educação não é aprovação em vestibular, nem aula de direito administrativo, processual ou constitucional para concurso. Queremos mais escolas da concorrência, da competição, dos índices ou da fraternidade, da sororidade, do coletivismo, do senso ecológico, e do respeito mutuo?
sábado, 23 de março de 2013
Tieta do Agreste contra a transfobia
A telenovela Tieta exibida pela Rede Globo em 1989, adaptado da obra de Tieta do Agreste de Jorge Amado.
A personagem Ninete, interpretada por Rogéria é motivo de discussão entre Tieta e seu par amoroso, Ricardo, onde a suposta normalidade de alguns é posto a prova. De fato o passado as vezes é mais moderno que o presente.
Imperdível!
A personagem Ninete, interpretada por Rogéria é motivo de discussão entre Tieta e seu par amoroso, Ricardo, onde a suposta normalidade de alguns é posto a prova. De fato o passado as vezes é mais moderno que o presente.
Imperdível!
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quarta-feira, 20 de março de 2013
Material para educadoras e educadores Dia Internacional de Contra Homofobia, Lesbofobia e Transfobia!
O Projeto Diversidade na Escola da Universidade Federal do Rio de Janeiro produziu esse material para a mobilização de educadoras e educadores para o Dia Internacional de Contra a Homofobia, Lesbofobia e Transfobia!
Compartilhe entre amigas e amigos, envie para educadorxs que conhece e para as escolas, o material é gratuito! Para mais informações www.pr5.ufrj.br/diversidade
quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013
E as travestis e transexuais na escola, onde estão?
Em maio do ano passado, o Conselho Estadual de Educação do Estado do Ceará autorizou o uso do nome social de homens e mulheres transexuais e das travestis dentro das instituições de ensino do estado.
http://www.youtube.com/watch?v=921FNTrOsdA
O nome social é o nome com o qual a pessoa se identifica segundo sua condição de gênero. Isso porque o seu nome registrado oficialmente, ao nascer, não reflete sua real identidade de gênero.
No Brasil ainda é muito complicado a alteração de nome para pessoas transgeneras, marcando de inumeras dificuldades e constrangimentos a vida dessas pessoas. O uso de qualquer serviço público, por exemplo, torna-se um transtorno.
Para nos atermos as instituições de ensino, isso também é muito preocupante. É importante lembrar que a regulamentação por si só não é suficiente, é preciso explicar para professoras, funcionárias e alunas/os o porque disso ser tão importante. Porque algo que a rigor é tão simples - chamar as pessoas pelo nome que lhe confere dignidade, pode ter um imenso significado positivo para alguns, para outros ser 'uma besteira' e para outros um ultraje?
http://www.youtube.com/watch?v=921FNTrOsdA
No Brasil ainda é muito complicado a alteração de nome para pessoas transgeneras, marcando de inumeras dificuldades e constrangimentos a vida dessas pessoas. O uso de qualquer serviço público, por exemplo, torna-se um transtorno.
Para nos atermos as instituições de ensino, isso também é muito preocupante. É importante lembrar que a regulamentação por si só não é suficiente, é preciso explicar para professoras, funcionárias e alunas/os o porque disso ser tão importante. Porque algo que a rigor é tão simples - chamar as pessoas pelo nome que lhe confere dignidade, pode ter um imenso significado positivo para alguns, para outros ser 'uma besteira' e para outros um ultraje?
domingo, 20 de janeiro de 2013
29 de janeiro. Dia Nacional de Visibilidade de Travestis e Transexuais!
Travesti, o teu Preconceito.
O azul cálido da parede contrastava com o azul de fora da esquadria. E era aquele azul que eu
sempre quis buscar.
Eu olhei minha face no espelho. Eu, no holograma minucioso com detalhes agudos, eu me enxergava nítida, como numa poça de chuva, depois do turbilhão que se passava dentro da minha cabeça. E, sim, eu conseguia sorrir mesmo desfigurada. Eu me vi mulher naturalmente como se sempre houvesse sido. Eu experimentei minhas formas como se apenas tivesse tido a paciência de esperá-las desabrochar, como uma menina boba que anseia por seios ainda aos 12 anos. Eu me vi completa e absorvi cada dia como se fosse o último. Porque a dádiva de estar viva no Brasil sendo uma travesti ou transexual é quase um milagre divino.
Nós somos a mutação natural do que a natureza falhou em esculpir desde o início. Eu observei amigas sendo massacradas, homenageadas depois de morta como se o mérito de ter existido bastasse.
Não, a vida não se trata somente de existir ou não, é preciso sobressair, edificar, pisar na terra e sentir-se viva mesmo aos prantos. Mesmo que a tal terra seja ao lado de uma cova de uma amiga que morreu por motivo torpe.
Somos travestis e transexuais aos montes, mulheres ceifadas do direito de parir por um erro de DNA. Como se já não bastasse isso, somos privadas de termos amor, o nome que bem quisermos, e temos travado na linha fria da vida o direito também de caminhar como qualquer mulher, seja ela feliz ou não.
Não, não são os seios e os cabelos compridos que me fazem plena! Porque o que adquiri com o tempo não me fez travesti. Eu sempre fui. Eu turbinei meu corpo, fiz o alinhamento dos quadris, a calibragem do meu eixo, e, na busca incessante de felicidade, eu, talvez, tenha esquecido de trocar as velas do coração.
Mas aí eu me indago: De que serve o coração em certos momentos? Para outra travesti? Para uma transexual? A não ser para acomodar balas ou faca de transfórmico ou ainda desamor do inaceitável.
Somos travestis e transexuais aos milhares, guardadas, lacradas dentro de contêineres esperando uma liberação federal para que possamos ser distribuídas nas prateleiras da vida.
Somos as tais bonecas do mau gosto que as mães não comprariam, que os pais esconderiam e que os filhos teriam curiosidade de tocar e pasmariam em descobrir que além de falar também somos dotadas do poder insano de amar. Bicho, mulher, com instinto maternal que abraça a criança desesperada que a família expulsou de casa, mas uma cria da vida exposta ao genocídio constante de almas.
Sim, minha Sim, minhas caras e meus caros, somos as humanas pré-históricas, objetos de pesquisas e estudos científicos para que não se descubra nada além de incompreensão. Somos nossas próprias mães, pais, aconchego e polícia, somos das casas, das ruas, dos hospitais, das delegacias, somos fruto da falta de entendimento entre o civil e o parlamentar, talvez. Mas creio eu que somos totais vítimas da falta de educação de um país onde não se respeita o que vai além do seu entendimento. E assim com tudo, desde a religião ao próprio amor.
Travestis, transexuais, transgênero, lésbicas, gays, intersexuais, bissexuais, pansexuais,
travestis. Travestis. Travas em ti o teu preconceito porque a vida já é difícil demais para todos nós”.
Obrigada.
Poema de Rafael Menezes, declamado por Keila Simpson, na II Conferência Nacional LGBT
Poema de Rafael Menezes, declamado por Keila Simpson, na II Conferência Nacional LGBT
quinta-feira, 17 de janeiro de 2013
Existem prioridades na luta?
Transcrição de trecho do livro "Devassos no Paraíso" de João Silverio Trevisan. Militante do movimento LGBT (na época Movimento Homossexual) desde a época da ditadura, fundador do grupo Somos e do jornal Lampião na Esquina.
Existem lutas políticas mais importantes que outras? Quem define nossas pautas de militancia?
O texto recupera um pouco da história da militancia LGBT em nosso país e seus embates com a esquerda universitária por um lugar ao sol das lutas legitimas.
Capítulo 2 - Novas idéias no front, pág 343. - Devassos no Paraíso
Nosso pequeno grupo se encontrava num impasse quando, em 8 de fevereiro de 1979, teve a oportunidade de estrear num debate público, na Faculdade de Ciências Sociais da Universidade de São Paulo, então um dos pulmões do progressismo oficial brasileiro. O auditório estava abarrotado. E nosso discurso político ainda não tinha amadurecido. À mesa, eu e outros representantes do grupo tínhamos tomado calmante e alguns sofriam de diarréia. Como era de se esperar, as posições se encarniçaram. De um lado, estudantes e profissionais da esquerda universitária protestavam sua fidelidade ao dogma da luta de classes e ao carisma do proletariado. De outro, nós reivindicávamos a originalidade de nossa discussão e independência de nossa análise, não abrangidas necessariamente pela luta de classes, mas nem por isso menos preocupados com a transformação social. A primeira posição representava a “luta maior”, segundo a qual haveria prioridades revolucionarias – e a prioridade máxima era, justamente, a luta do proletariado que deflagaria e conduziria a revolução em seu sentido mais abrangente, sendo o demais irrelevante e até divisionista. Diante dela, nós éramos a “luta menor”, portanto secundária, enquanto contraposição que ousava contestar isso que nos parecia uma sacralização da classe operaria; na melhor das hipóteses, não passávamos de “minorias” – nome, aliás, da série de debates da qual estávamos participando. Na noite anterior, já os negros, que vinham se organziando contra a discriminação racial e pela afirmação de sua cultura, independentemente da luta partidária, tinham sido massacrados por grande parte do público (de brancos), sob acusação de estar promovendo uma reles “discussão existencial” em torno de sua problemática. Como se previa que num debate inédito sobre homossexualismo o auditório estava cheio de bichas e lésbicas, nós da mesa combináramos quejogaríamos as perguntas de volta ao público, sempre que possível, para que ele assumisse a briga sem necessidade de porta-vozes. Quando, no decorrer da acalorada discussão, um esquerdista ortodoxo (na verdade, uma bicha enrustida que eu conhecia) observou que a luta homossexual não passava de uma escamoteação da luta de classes, não contive minha informação: subi numa cadeira e pedi às pessoas do auditório que relatassem fatos concretos de como nós homossexuais éramos escamoteados justamente em nome da luta de classes. A reação foi fulminante. Homens e mulheres, visivelmente emocionados e sem medo de aparecer publicamente como homossexuais, levantaram-se para relatar, em alto e bom som, experiências pessoais de discriminação de setores progressistas contra eles, por sua orientação sexual. Assim foi citado o exemplo de uma professora daquela mesma universidade, que solicitara aos alunos um trabalho escolar analisando os motivos da ausência de homossexuais entre os operários. Essa era, na época, a mesma opinião do então messiânico líder sindical Lula, que definira o feminismo como “coisa de quem não tem o que fazer”. Como se podia esperar, foram trocados xingos entre representantes do movimento estudantil e homossexuais ali presentes – sinal de que já sabíamos enfrentar e não pedíamos desculpas pelo que éramos . “O importante é a liberdade, que inclui o direito de cada um ir para a cama com quem quiser”, gritava uma estudante homossexual. “Se não for para caminhar juntos, então eu quero que os homossexuais vão à puta-que-pariu”, contestava um jovem esquerdista. Ao que outro homossexual, da platéia, gritava: “O problema de qualquer revolução é saber quem vai lavar a louça depois.” Risos, apupos, palmas. Ao final das três horas de debate, nossas camisas empapadas de suor davam a sensação de que o movimento homossexual brasileiro acabava de conquistar o espaço que lhe era devido. Nossa luta estava finalmente na rua. Emocionados e nos beijando em público, já não sentíamos nenhum pudor ideológico. Só não sabíamos que aquele nosso primeiro enfrentamento com a esquerda universitária não seria o último, nem o mais violento. Meses depois, fomos informados de que, na mesma faculdade onde ocorrerá o debate, um ativista guei (que gostava de se apresentar, provocadoramente, com o nome feminino de Taís e desfilar travestido pelas ruas noturnas de São Paulo) tinha sido atraído para um bosque nas vizinhanças e aí recebera uma surra, quelhe custou um dente quebrado; enquanto o espancavam, os quatro militantes esquerdistas (seus conhecidos) acusavam-no de estar tentando dividir a luta do proletariado e o exortavam a parar com “essa frescura de movimento homossexual”.
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